Wednesday, March 23, 2016

O PAGADOR DE PROMESSAS, Dias Gomes

"Padre: Este homem teve todas as oportunidades para arrepender-se. Deus é testemunha de que fiz todo o possível para salvá-lo. Mas ele não quer ser salvo. Pior para ele. . .
[Zé] dá ainda um passo em direção á igreja e cai morto.
Padre: (Num começo de reconhecimento de culpa.) Virgem Santíssima!. . . Queria encomendar a alma dele. . ." (Gomes, pag. 151, 153)

Aqui, antes da morte de Zé, o Padre da igreja católica está convencido que Zé é um homem mal e não tem nenhum desejo de ajudá-lo. Ele o vê quase como um filho do diabo porque está tão focado em fazer a coisa certa de acordo com a letra da lei de Deus, mas não com o espírito da lei. Ele é assim porque quer impressionar os homens e provar-se a eles, mais do que a Deus. Depois da morte de Zé, o Padre se dá conta de que aconteceu e sente culpa que não fez mais para evitar o problema. Ele até quer ajudar e encomendar a alma de Zé.

Gomes está ilustrando o que acontece quando somos tão convencidos em nossos caminhos e crenças até que alguma coisa horrível acontece e sentimos culpa por aquela coisa ter acontecido. Somos como um irmão maior arreliando seu irmão menor--tudo é divertido até que o irmão menor se machuca e depois é quando o irmão maior se dá conta do que fez porque sente culpa. Muitas vezes, essa culpa não vem de arrependimento sincero mas porque não quer ser castigado. No momento, o irmão maior vai sentir aquela culpa, mas alguns dias ou algumas horas depois, vai continuar a arreliar seu irmão menor. Acho que foi assim também com o Padre. Ele estava tão absorto na letra da lei que não se deu conta do mal que fez até que as consequências, ou a morte de Zé, se mostraram. Mas ainda assim, só sentiu pena do mal tal vez não porque se arrependeu de verdade, mas porque uma coisa mal aconteceu. Acredito que não muito tempo depois da morte de Zé, o Padre voltou a ser obstinado e um homem que cumpria a lei não só porque era uma obrigação de Deus, mas também porque queria se provar aos outros.

No fim, a diferença entre o Padre na peça e um Padre ideal é o motivo de suas ações. O motivo do Padre na peça era para se provar aos homens e foi por causa disso que muito do que aconteceu aconteceu.

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