"Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão" (Rubem Braga, Homem no mar).
"Homem no mar" é uma crônica que conta a experiência de uma pessoa olhando para o mar e vendo um homem nadando lá na água. O narrador passa a crônica inteira explicando que admira muito esse homem de longe, mas não acha necessário ir até a praia para dar seu apoio. Simplesmente fica o admirando por uma janela (ou alguma coisa assim) em silêncio.
As pessoas do mundo real também são assim. O narrador usa o homem que está nadando no mar como um símbolo das pessoas que nós também admiramos de longe. As vezes são pessoas amadas em nossas vidas, as vezes são conhecidos e as vezes não las conhecem pessoalmente. Podem ser humanos que vivem agora ou que viviam no passado. Mas existem essas pessoas que respeitamos. Não sentimos uma necessidade de expressar essa fascinação por alguma razão mas ainda a sentimos. Tal vez não faça sentido não cumprimentar essas figuras de admiração mas é assim que somos como humanos. A maioria das vezes, as coisas que fazemos não fazem sentido. Tão como na crônica, isso é uma questão que podemos passar a vida inteira tentando solucionar.
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