"Ninfa, doce amiga, fantasia inquieta e fértil, tu me salvaste de uma ruim peça com um sonho original, substituíste-me o tédio por um pesadelo: foi um bom negócio. Um bom negócio e uma grave lição: provaste-me ainda uma vez que o melhor drama está no espectador e não no palco" (Machado de Assis, A Chinela Turca).
Duarte, o protagonista, está dizendo esse parágrafo no final do conto, depois de passar por uma experiência emocionante em sua subconsciência. Durante o conto inteiro, um velho amigo da família está lendo uma peça para Duarte escutar mas essa peça não é gravada no conto. Duarte cai em um sono profundo e é o sonho dele que acabamos em ler. Na opinão de Duarte, seu sonho é muito mais interesante do que a peça que Lopo Alves, o amigo.
Com essa frase que ele suspira depois de acordar de novo e pensar no que aconteceu, algumas verdades podem ser encontradas. Uma dessas é que a melhor peça não sempre é encontrada no palco, mas na imaginação. Os humanos sempre estão procurando formas de entreterem-se. Geralmente, eles procuram formas externos. Mas Duarte prova para o leitor que muitas vezes, a melhor forma de entreter-se existe na mente de uma pessoa, especificamente no sonho. O sonho de Duarte provou a ser muito mais interesante do que a peça de Lopo Alves. Foi emocionante, louco e parecia ser verdadeiro, uma coisa que realmente aconteceu. A subconsciência foi a forma mais interesante e mais desejável para entreter Duarte, também pode ser para nós.
No comments:
Post a Comment