"E que justiça a resguarda?........Bastarda / É grátis distribuída?.........Vendida / Que tem, que a todos assusta?.........Injusta. / Valha-nos Deus, o que custa, / o que El-Rei nos dá de graça, / que anda a justiça na praça / Bastarda, Vendida, Injusta" (Gregório de Matos, Epílogos).
O poema Epílogos é uma obra literária que era muito audaz pela época em que foi escrita. O autor tinha muito couragem para escrever uma coisa assim. Ele estava criticando todo mundo; se alguém ficasse com raiva dele, seria todas as figuras de autoridade, e ele não teria ninguém para defendê-lo. Mas ele reconhecia que as coisas precisavam de uma mudança e estava disposto a ser a voz para advertir essa necessidade, apesar das consequências.
Nessa seção do poema, ele está criticando como o que deve ser grátis agora não está mais. Usa o exemplo de justiça. É uma coisa que deve ser de graça sempre--uma bênção de Deus, mas com a corrupção das pessoas, se tornou uma coisa vendida. As pessoas estão tentando vender essa justiça e a graça de Deus e ele não gosta disso. Não acha justo mas, ao contrário, acredita que é injusto. Quer uma mudança e está disposto a fazer qualquer coisa para iniciar essa transformação, ou esse retorno ao que é certo.
Thursday, February 25, 2016
Thursday, February 18, 2016
O MORCEGO, Augusto dos Anjos
"Pego de um pau. Esforços faço. Chego / A tocá-lo. Minh´alma se concentra. / Que ventre produziu tão feio parto?! / A Consciência Humana é este morcego! Por mais que a gente faça, à noite, ele entra / Imperceptivelmente em nosso quarto!" (Augusto dos Anjos, O morcego).
O significado do poema "O morcego" é facilmente encontrado no último terceto. O autor escreve de um morcego e no fim, o compara com a consciência humana. No começo, o narrador está tentando ir para dormir, mas logo depois de entrar e recolher-se ao seu quarto, um morcego entra e incomoda o narrador. Ele tenta fazer o morcego ir embora ou pelo menos escapar a presença do bicho, mas não consegue. Como diz no fim, não importa o quanto ele tenta--o morcego sempre entra e é difícil, quase impossível, tirá-lo.
Muitas vezes, essa mesma coisa acontece com a consciência humana. Por mais que tentamos empurrar atrás as coisas escuras do passado, sempre aparecem na mente de novo. Estão lá até que nos arrependermos delas. No poema, ele diz que o morcego é igual a um olho, circulando sobre ele. A consciência humana também faz isso. Paira sobre nós até que não tiver mais razão para estar lá. No poema, o narrador tenta tirar o morcego com forço, com violência, mas, como a consciência humana, só pode ser tirado com tempo e sabedoria.
O significado do poema "O morcego" é facilmente encontrado no último terceto. O autor escreve de um morcego e no fim, o compara com a consciência humana. No começo, o narrador está tentando ir para dormir, mas logo depois de entrar e recolher-se ao seu quarto, um morcego entra e incomoda o narrador. Ele tenta fazer o morcego ir embora ou pelo menos escapar a presença do bicho, mas não consegue. Como diz no fim, não importa o quanto ele tenta--o morcego sempre entra e é difícil, quase impossível, tirá-lo.
Muitas vezes, essa mesma coisa acontece com a consciência humana. Por mais que tentamos empurrar atrás as coisas escuras do passado, sempre aparecem na mente de novo. Estão lá até que nos arrependermos delas. No poema, ele diz que o morcego é igual a um olho, circulando sobre ele. A consciência humana também faz isso. Paira sobre nós até que não tiver mais razão para estar lá. No poema, o narrador tenta tirar o morcego com forço, com violência, mas, como a consciência humana, só pode ser tirado com tempo e sabedoria.
HOMEM NO MAR, Rubem Braga
"Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão" (Rubem Braga, Homem no mar).
"Homem no mar" é uma crônica que conta a experiência de uma pessoa olhando para o mar e vendo um homem nadando lá na água. O narrador passa a crônica inteira explicando que admira muito esse homem de longe, mas não acha necessário ir até a praia para dar seu apoio. Simplesmente fica o admirando por uma janela (ou alguma coisa assim) em silêncio.
As pessoas do mundo real também são assim. O narrador usa o homem que está nadando no mar como um símbolo das pessoas que nós também admiramos de longe. As vezes são pessoas amadas em nossas vidas, as vezes são conhecidos e as vezes não las conhecem pessoalmente. Podem ser humanos que vivem agora ou que viviam no passado. Mas existem essas pessoas que respeitamos. Não sentimos uma necessidade de expressar essa fascinação por alguma razão mas ainda a sentimos. Tal vez não faça sentido não cumprimentar essas figuras de admiração mas é assim que somos como humanos. A maioria das vezes, as coisas que fazemos não fazem sentido. Tão como na crônica, isso é uma questão que podemos passar a vida inteira tentando solucionar.
"Homem no mar" é uma crônica que conta a experiência de uma pessoa olhando para o mar e vendo um homem nadando lá na água. O narrador passa a crônica inteira explicando que admira muito esse homem de longe, mas não acha necessário ir até a praia para dar seu apoio. Simplesmente fica o admirando por uma janela (ou alguma coisa assim) em silêncio.
As pessoas do mundo real também são assim. O narrador usa o homem que está nadando no mar como um símbolo das pessoas que nós também admiramos de longe. As vezes são pessoas amadas em nossas vidas, as vezes são conhecidos e as vezes não las conhecem pessoalmente. Podem ser humanos que vivem agora ou que viviam no passado. Mas existem essas pessoas que respeitamos. Não sentimos uma necessidade de expressar essa fascinação por alguma razão mas ainda a sentimos. Tal vez não faça sentido não cumprimentar essas figuras de admiração mas é assim que somos como humanos. A maioria das vezes, as coisas que fazemos não fazem sentido. Tão como na crônica, isso é uma questão que podemos passar a vida inteira tentando solucionar.
O CONTO DA ILHA DESCONHECIDA, José Saramago
"Tenho, tive, terei se for preciso, mas quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver, Não o sabes, Se não sais de ti, não chegas a saber quem és. . . " (José Saramago, O conto da ilha desconhecida).
Essa frase resume muito bem uma idéia que está apresentada nesse conto, que nós, como humanos, sempre estamos procurando algo melhor em nossas vidas. O homem que pede um barco do rei quer descobrir uma ilha desconhecida porque espera que esteja melhor ou tenha alguma coisa interesante para oferecer. A empregada que o segue até o estaleiro sai de seu trabalho no palacío porque tem esperança que uma vida de limpar barcos seja melhor do que trabalhar para o rei pelo resto de sua vida.
Essas duas personagens simbolizam a crença do humano de que "a grama do outro lado sempre está mais verde." Somos todos sonhadores, visionários com uma esperança que alguma coisa melhor sempre exista. As vezes aquela esperança fica apagada pela descrença de outras pessoas e nossas próprias falhas, como ficou para o homem quando ele não conseguiu encontrar pessoas para ajudá-lo em sua busca. Mas pessoas que compartilham os mesmos sonhos podem nos ajudar, tão como a mulher encorajou o homem continuar perseguir seu sonho. No conto, não diz se eles acabaram de encontrar uma ilha desconhecida ou não. Mas é assim em nossas vidas também--não sabemos o resultado de nossos esforços até chegarmos no fim. As vezes é um risco intimidador, mas sempre é um risco que valerá a pena.
Essa frase resume muito bem uma idéia que está apresentada nesse conto, que nós, como humanos, sempre estamos procurando algo melhor em nossas vidas. O homem que pede um barco do rei quer descobrir uma ilha desconhecida porque espera que esteja melhor ou tenha alguma coisa interesante para oferecer. A empregada que o segue até o estaleiro sai de seu trabalho no palacío porque tem esperança que uma vida de limpar barcos seja melhor do que trabalhar para o rei pelo resto de sua vida.
Essas duas personagens simbolizam a crença do humano de que "a grama do outro lado sempre está mais verde." Somos todos sonhadores, visionários com uma esperança que alguma coisa melhor sempre exista. As vezes aquela esperança fica apagada pela descrença de outras pessoas e nossas próprias falhas, como ficou para o homem quando ele não conseguiu encontrar pessoas para ajudá-lo em sua busca. Mas pessoas que compartilham os mesmos sonhos podem nos ajudar, tão como a mulher encorajou o homem continuar perseguir seu sonho. No conto, não diz se eles acabaram de encontrar uma ilha desconhecida ou não. Mas é assim em nossas vidas também--não sabemos o resultado de nossos esforços até chegarmos no fim. As vezes é um risco intimidador, mas sempre é um risco que valerá a pena.
A CHINELA TURCA, Machado de Assis
"Ninfa, doce amiga, fantasia inquieta e fértil, tu me salvaste de uma ruim peça com um sonho original, substituíste-me o tédio por um pesadelo: foi um bom negócio. Um bom negócio e uma grave lição: provaste-me ainda uma vez que o melhor drama está no espectador e não no palco" (Machado de Assis, A Chinela Turca).
Duarte, o protagonista, está dizendo esse parágrafo no final do conto, depois de passar por uma experiência emocionante em sua subconsciência. Durante o conto inteiro, um velho amigo da família está lendo uma peça para Duarte escutar mas essa peça não é gravada no conto. Duarte cai em um sono profundo e é o sonho dele que acabamos em ler. Na opinão de Duarte, seu sonho é muito mais interesante do que a peça que Lopo Alves, o amigo.
Com essa frase que ele suspira depois de acordar de novo e pensar no que aconteceu, algumas verdades podem ser encontradas. Uma dessas é que a melhor peça não sempre é encontrada no palco, mas na imaginação. Os humanos sempre estão procurando formas de entreterem-se. Geralmente, eles procuram formas externos. Mas Duarte prova para o leitor que muitas vezes, a melhor forma de entreter-se existe na mente de uma pessoa, especificamente no sonho. O sonho de Duarte provou a ser muito mais interesante do que a peça de Lopo Alves. Foi emocionante, louco e parecia ser verdadeiro, uma coisa que realmente aconteceu. A subconsciência foi a forma mais interesante e mais desejável para entreter Duarte, também pode ser para nós.
Duarte, o protagonista, está dizendo esse parágrafo no final do conto, depois de passar por uma experiência emocionante em sua subconsciência. Durante o conto inteiro, um velho amigo da família está lendo uma peça para Duarte escutar mas essa peça não é gravada no conto. Duarte cai em um sono profundo e é o sonho dele que acabamos em ler. Na opinão de Duarte, seu sonho é muito mais interesante do que a peça que Lopo Alves, o amigo.
Com essa frase que ele suspira depois de acordar de novo e pensar no que aconteceu, algumas verdades podem ser encontradas. Uma dessas é que a melhor peça não sempre é encontrada no palco, mas na imaginação. Os humanos sempre estão procurando formas de entreterem-se. Geralmente, eles procuram formas externos. Mas Duarte prova para o leitor que muitas vezes, a melhor forma de entreter-se existe na mente de uma pessoa, especificamente no sonho. O sonho de Duarte provou a ser muito mais interesante do que a peça de Lopo Alves. Foi emocionante, louco e parecia ser verdadeiro, uma coisa que realmente aconteceu. A subconsciência foi a forma mais interesante e mais desejável para entreter Duarte, também pode ser para nós.
A MISSA DO GALO, Machado de Assis
"Dentro em pouco estava completamente ébrio de Dumas. Os minutos voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso. Entretanto, um pequeno rumor que ouvi dentro veio acordar-me da leitura. . . levantei a cabeça; logo depois vi assomar à porta da sala o vulto de Conceição. . . entrou na sala, arrastando as chinelinhas da alcova. Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um ar de visão romantica, não disparatada com o meu livro de aventuras. Fechei o livro, ela foi sentar-se na cadeira que ficava defronte de mim, perto do canapé" (Machado de Assis, A missa do galo).
"A missa do galo" é uma obra que captura a essência do conceito do olhar masculino. O conto inteiro é baseado nesse olhar que transforma a mulher em uma coisa. Nesse caso, o narrador compara Conceição com o seu livro. Antes dela entrar na sala, ele estava lendo "Os Três Mosqueteiros" e estava muito intrigado, como ele diz, "completamente ébrio" na obra de Dumas. Mas no momento que Conceição entra na sala, ele imediatamente para de ler. O livro não está mais tão interesante. Uma coisa mais intrigante tem chegado e sua atenção está completamente dela agora. Pelo olhar masculino, o narrador a vê semelhante a seu livro, uma coisa que pode ser lida. Ele a descreve fisicamente porque só são as características físicas dela que ele consegue ver.
Se faz a pergunta "por que o narrador está contando esta experiência?" Naquela época, era normal e até esperado de um homem agir de acordo com esse olhar masculino. Era legal tratar as mulheres como objetivos e nada mais. Tal vez o narrador quisesse provar que ele era homem, que ele era capaz de agir como os homens agiam. O leitor não sabe se o que o narrador diz no conto realmente aconteceu assim ou se ele só está tentando provar-se. Mas pode ser suposto que o narrador está usando o olhar masculino para descrever Conceição como ele queria vê-la.
"A missa do galo" é uma obra que captura a essência do conceito do olhar masculino. O conto inteiro é baseado nesse olhar que transforma a mulher em uma coisa. Nesse caso, o narrador compara Conceição com o seu livro. Antes dela entrar na sala, ele estava lendo "Os Três Mosqueteiros" e estava muito intrigado, como ele diz, "completamente ébrio" na obra de Dumas. Mas no momento que Conceição entra na sala, ele imediatamente para de ler. O livro não está mais tão interesante. Uma coisa mais intrigante tem chegado e sua atenção está completamente dela agora. Pelo olhar masculino, o narrador a vê semelhante a seu livro, uma coisa que pode ser lida. Ele a descreve fisicamente porque só são as características físicas dela que ele consegue ver.
Se faz a pergunta "por que o narrador está contando esta experiência?" Naquela época, era normal e até esperado de um homem agir de acordo com esse olhar masculino. Era legal tratar as mulheres como objetivos e nada mais. Tal vez o narrador quisesse provar que ele era homem, que ele era capaz de agir como os homens agiam. O leitor não sabe se o que o narrador diz no conto realmente aconteceu assim ou se ele só está tentando provar-se. Mas pode ser suposto que o narrador está usando o olhar masculino para descrever Conceição como ele queria vê-la.
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